Niterói: 85% dos lojistas gastam com segurança
(3/11/2008)
A violência está modificando os hábitos de empresários e comerciantes niteroienses, que, reféns do medo, buscam proteção através dos sistemas de segurança eletrônica. A fim de oferecer mais tranqüilidade aos clientes e inibir possíveis ações criminosas, estabelecimentos transformaram-se em autênticos "big brothers", com todos as movimentações sendo monitoradas.
Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Joaquim Pinto, 85% do comércio na cidade aderiram aos sistemas de segurança eletrônica. Hoje, ainda de acordo com ele, 5% do faturamento mensal das lojas é gasto com segurança.
"Os empresários fazem esse sacrifício para dar uma sensação de segurança aos clientes, mas também para tentar inibir bandidos. É um absurdo termos que arcar custos para reforçar a segurança, se já pagamos tantos impostos", afirmou Pinto.
Para ele, o valor aplicado em mensalidades de manutenção de alarmes e câmeras de segurança poderia estar sendo investido em outros negócios ou gerando mais empregos.
Recentemente, em alguns casos de roubo a estabelecimento comercial registrados nas delegacias de Niterói, os comerciantes foram driblados pela audácia dos ladrões, que ignoraram as câmeras, saquearam o local e depois fizeram questão de levar as gravações do circuito interno de TV.
Ângelo Meira, sócio de uma empresa especializada em monitoramento e segurança eletrônica, disse que a procura para a implantação dos sistemas em lojas cresceu 100% neste ano.
"O mercado de segurança eletrônica está explodindo e, por isso, a cada dia estamos explorando e abusando das tecnologias para inibir as ações criminosas", contou.
Segundo ele, ao perceber que os bandidos passaram a roubar fitas ou CDs com as gravações feitas pelo circuito de TV, foi implantando o serviço de monitoramento permanente, que é feito por funcionários da empresa que dirige.
"Instalamos alarmes silenciosos e sensores que detectam movimentos. Combinamos códigos com os usuários e estamos atentos 24 horas por dia às ações de bandidos. Eles podem até procurar os registros das imagens, mas não vão encontrar, pois estarão arquivadas em nossa central", revelou Meira, acrescentando que hoje é possível implantar sistemas cujos preços variam de R$ 1 mil a R$ 180 mil.
A empresária Carolina Pereira da Silva, de 32 anos, dona de uma loja de produtos para motocicletas e condutores no Centro, disse que nunca foi vítima de roubo. Porém, ela frisa: apesar de a loja estar numa região muito movimentada, preferiu equipar o imóvel com alarmes e câmeras de TV, instaladas em lugares estratégicos.
"Inicialmente, investimos R$ 6 mil na compra de equipamentos e com a instalação. Hoje, pagamos um valor fixo, que corresponde à mensalidade da manutenção. Nós estamos pagando e agradecendo a Deus para não precisar utilizar os serviços", explicou.
Gerente de um posto de gasolina no Fonseca, Zona Norte da cidade, Daniele Lopes também disse que o estabelecimento nunca foi assaltado por bandidos armados. Porém, se apressa em dizer que a loja de conveniências foi alvo de pequenos furtos.
"Compramos os equipamentos há pouco tempo. Investimos R$ 5 mil e, além de pagarmos uma taxa mensal, contratamos uma empresa de segurança privada para trabalhar no horário noturno".
"O posto é vigiado 24 horas por sete câmeras de vigilância. A loja de conveniência também é equipada com câmeras. Ao todo, são quatro espalhadas em pontos estratégicos".
O Fluminense