Câmeras que flagram ação de bandidos estão mais baratas    (20/8/2009)

A evolução tecnológica das câmeras nos últimos anos baixou seus preços. Um modelo muito usado, que teve queda de até 50% no valor, usa o recurso do infravermelho, por exemplo. Mas qual é o efeito dessa vigilância sobre a atuação dos criminosos? Como a população se sente, com tantos olhos eletrônicos vigiando cada passo? Especialistas dizem que é o preço da segurança.

Pelas ruas, a sensação é de incômodo. "Acho que limita um pouco o cidadão. Estamos vigiados o tempo todo, há pouca liberdade", reclama o advogado Marcelo Pontual. "É bom para nossa segurança, mas acabamos perdendo a privacidade", contrapõe a gerente comercial Fernanda Faria. Silenciosamente, o recurso se multiplica pelas cidades país afora e ajuda a desvendar crimes.

Na noite de terça para quarta-feira, as câmeras de segurança de São Leopoldo, Região Metropolitana de Porto Alegre, flagraram dois adolescentes durante um assalto a uma jovem. A policia chegou 30 segundos depois e levou os ladrões para a delegacia. Em Santos, litoral de São Paulo, o sistema de segurança de um prédio mostra o momento em que um criminoso abordou a vítima. Ele a estuprou em um local perto dali. Detalhes das imagens levaram à prisão de um suspeito. Outro caso esclarecido pela imagem: ex-jogador de futebol Janken Ferraz aparece bem claramente ao lado da ex-mulher minutos antes de assassiná-la a facadas. Ele sai do apartamento com outra camisa.

Horas e horas de registros recentes são um cotidiano de violência na Grande São Paulo. Todos esses flagrantes só foram possíveis por causa da evolução tecnológica que as câmeras tiveram nos últimos anos. Além de sofisticadas, elas estão mais baratas. Um modelo muito usado, que teve queda de até 50% no valor, tem o recurso do infravermelho. Mesmo no escuro, a imagem é captada.

Há câmeras com fio, sem fio, via rádio. Técnicos estão de olho em dez mil endereços diferentes. Eles também monitoram câmeras instaladas dentro de carros. Tudo para tentar evitar roubos como o que aconteceu na Zona Sul de São Paulo. Uma caminhonete derruba a porta da loja de esportes. Logo em seguida entra o bandido. Um roubo inusitado que poderia ter sido pior. "Se o bandido não tivesse a ideia de que aquele local está monitorado e que vai chegar alguém, ele com certeza roubaria a loja inteira, o estoque inteiro, colocaria num caminhao e iria embora. O prejuízo seria muito maior", aponta o diretor da empresa Oswaldo Oggian.

A vítima de um crime pode, de livre iniciativa, informar o delegado que tais imagens existem, cabendo à autoridade decidir se elas serão ou não relevantes para a investigação e elucidação do caso. Segundo a secretaria de segurança pública, a autenticidade de imagens de circuito interno é verificada pelos peritos do Instituto de Criminalística. Isso é imprescindível para que o material seja legalmente incorporado ao inquérito policial.



Fonte: G1