Férias, mas não para os ladrões
(21/12/2009)
Luiz Guilherme Brazileiro, 62, é morador e síndico do Condomínio San Marco, na Rua Marechal Jofre, no Grajaú (Zona Norte), próximo ao Morro dos Macacos. Há quatro anos no cargo, ele já notou que é preciso aumentar a segurança no prédio nesta época do ano, quando muitos moradores viajam e o risco de assaltos aumenta. Por isso, mesmo com 11 câmeras de monitoramento e um funcionário que já fez o curso ministrado pela Polícia Militar, outras precauções serão tomadas nestas férias. "Antes de assumir como síndico, presenciei mais de cinco assaltos pelas ruas do Grajaú e de Vila Isabel. Peço atenção redobrada durante as festas de fim de ano. Solicitamos que os moradores avisem quem e quando vão viajar. Caso algum parente ou amigo venha ocupar o apartamento vazio enquanto eles estiverem ausentes, também é necessário que deixem uma autorização para o acesso dessas pessoas", conta.
A preocupação de seu Luiz está de acordo com o pensamento dos especialistas na área de segurança. Jorge Lordello é pesquisador criminal, palestrante e escritor do tema. Ele afirma que, normalmente, a informação para alguns assaltos acaba saindo da própria família. "Não se pode ficar comentando na padaria, na feira ou na rua o tempo em que se pretende ficar ausente. Outro conselho é a inibição da assinatura de revistas ou jornais. Quanto ao molho de chaves, ele deve ficar com parentes ou amigos muito próximos. Acho que devia ser proibido deixar chave na portaria", defende.
O próprio síndico do Grajaú também irá viajar. Mesmo sendo o síndico, ele já seguirá em direção à Região dos Lagos na próxima sexta-feira, e, segundo ele, só voltará no mês de fevereiro do próximo ano. "Tenho certeza de que o meu prédio vai estar em boas mãos durante o período em que estiver fora", afirma, referindo-se aos funcionários Roberto Rivelino e Bartolomeu Aurélio e a todo o esquema de segurança montado por ele.
Outra importante medida, de acordo com Jorge Lordello, é pedir sigilo às pessoas mais próximas quanto aos detalhes da viagem. Ligar e ficar monitorando a movimentação é outra forma de lembrar aos amigos do cuidado com a residência vazia. "É uma troca. Quando ele precisar viajar, é você quem vai zelar pelo patrimônio dele", lembra.
Alarmes e câmeras
Especialistas em aparelhos eletrônicos de segurança - como câmeras e alarmes - alertam para a importância da comunicação entre os funcionários dos condomínios antes de qualquer coisa. O primeiro passo é o síndico emitir uma circular a todos os condôminos sobre a necessidade de cuidados,"Porteiros, zeladores e faxineiros também devem receber orientações especiais. Somente depois disso é que entram os equipamentos de alta tecnologia. As câmeras são muito utilizadas também em casas. No entanto, assim como acontece com os veículos, é preciso que o equipamento passe por uma minuciosa vistoria antes da viagem. A recomendação essencial é inspecionar o sistema de segurança, verificando o funcionamento do circuito de alarmes e TV do condomínio".
Em edifícios com grandes áreas externas, os funcionários devem ser orientados a realizar rondas periódicas, especialmente no período noturno. Caso os condomínios tenham contratos com empresas de segurança patrimonial, é fundamental solicitar a intensificação das rondas na porta do edifício. Atualmente, existem equipamentos de alarme a partir de R$ 400 - com quatro pontos de sensores. As câmeras são um pouco mais caras: custam a partir de R$ 2 mil.
A Polícia Civil do Rio também alerta para o período e pede atenção redobrada de porteiros e zeladores. Segundo a corporação, nesta época do ano sempre existiu um aumento natural de assaltos. Algumas delegacias estão contando com um reforço de efetivo, principalmente as da Zona Sul, para atender, entre outras coisas, aos turistas que a cidade recebe neste período. Do código entre porteiro e morador à visão pelo celular Bartolomeu Aurélio, 34 anos, trabalha há oito como porteiro no Condomínio San Marco, no Grajaú, e é bem conhecido por seu superior, Roberto Rivelino, 39, que está no local há 11 anos. A confiança e o bom relacionamento de ambos são fundamentais para o aumento da segurança. "Quando se conhece bem os funcionários do prédio, fica um pouco mais fácil" relata o especialista Jorge Lordello. "Se você esquecer de inibir a assinatura do jornal, por exemplo, o porteiro pode receber e guardar com ele num cantinho, evitando aquele empilhamento de edições na porta da casa de quem viaja. Mas a confiança não pode ultrapassar os limites do regulamento do prédio".
"Aqui, é expressamente proibido deixar qualquer tipo de chave sob a responsabilidade dos porteiros, mesmo eu confiando muito nos profissionais", lembra o síndico Luiz Guilherme Brazileiro.
No San Marco, ele e os funcionários desenvolveram um código para que o morador saiba quando o porteiro for ao seu apartamento após ser rendido por assaltantes. Para o diretor-geral da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), Marcos Menezes, soluções caseiras também são bastante interessantes, mas somente a tecnologia permite uma segurança plena. "Quem precisa defender patrimônios muito valiosos pode até mesmo monitorar a sua residência pela tela do seu telefone celular. É lógico que para tudo existe um preço, mas cada um deve adaptar-se à sua realidade" conta.
De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, os batalhões da Tijuca (6º BPM), Niterói (12º BPM), Copacabana (19º BPM) e Leblon (23º BPM) oferecem cursos para porteiros, com inscrições nas próprias unidades.
Fonte: Jornal do Brasil